Eu não percebo nada de agricultura. “Menino de cidade” desde os 10 anos, o meu contacto com o campo, a enxada e outras ferramentas sempre foi esporádico. No entanto, nunca perdi a vontade de um dia voltar às raízes. Não para ser agricultor, mas para ter um naco de terra onde pudesse lançar raízes diversas, conquistando pequenas vitórias de comunhão com a natureza e a sua infinita generosidade.
Foi assim que adquiri um pequeno lote de terreno a um familiar. À partida, a ideia era construir uma pequena casa de campo para onde me pudesse mudar quando chegasse a reforma. No entanto, as circunstâncias da vida mudaram-me o foco. Mais do que uma casa, quero um local onde possa passar bons momentos em contacto com a natureza, ter algumas árvores, uma pequena horta e uma zona de lazer. Um pequeno refúgio.

Quando comprei o terreno, era este o seu aspeto: uma pequena floresta caótica, cheia de silvado, onde era difícil entrar. Silvas, ervas altas e arbustos tomavam conta de tudo, como se a natureza tivesse decidido recuperar aquilo que um dia lhe pertencerá por inteiro.
Abrir caminho
O primeiro passo foi simplesmente abrir caminho. Armado de foice, tesoura de poda e alguma paciência, comecei a limpar o terreno pouco a pouco. Não foi um trabalho rápido. Pelo contrário. Não o consegui sozinho. Tive de pedir ajuda a um profissional. Cada metro conquistado parecia uma pequena batalha vencida. Mas, à medida que o mato cedia, começava a revelar-se o verdadeiro potencial daquele pedaço de terra.

Melhor assim, não é?


Com o terreno mais limpo, comecei então a imaginar o que ali poderá nascer. Um pequeno pomar com algumas árvores de fruto — laranjeiras, limoeiros, talvez um pessegueiro ou duas ameixeiras, araçazeiros, pintangueiras, maracujazeiros, figueiras, anoneiras, nespereiras e outras fruteiras exóticas, algumas árvores da laurisilva, enfim… — uma zona reservada para uma pequena horta e um espaço onde simplesmente me poderei sentar, olhar à volta e sentir o tempo passar mais devagar.
Ainda estou longe de saber verdadeiramente o que faço. Aprendo à medida que experimento, erro e volto a tentar. Mas talvez seja exatamente isso que torna este projeto tão interessante: a descoberta constante e a sensação de que, pouco a pouco, aquele espaço começa a ganhar forma.
O trabalho ainda está longe de terminado. Pelo contrário. Promete manter-me ocupado durante muito tempo. Mas, no fundo, é precisamente isso que procuro: um projeto que cresça devagar, ao ritmo da terra e das estações. A coisa promete manter-me ocupado durante muiiiiiiiiittttoooooo teeemmmpoooooo.
A ideia é deixar aqui o processo evolutivo, as conquistas e as derrotas desta construção.
Claudia Faria
15/03/2026Gosto!!! Do projecto de vida e da escrita
Gonçalo Mendes
15/03/2026Obrigado, amiga. Os comentários são sempre bem vindos.