Pouco mais de uma semana depois, eis que o ramo de amoreira dá sinais de vida. Quatro rebentos a prometer um futuro grandioso e a dar esperança a este projeto que, de ideia de simples pomar, começou a pensar numa horta, depois num bosque alimentar e… quem sabe.

A união entre a natureza e a vontade faz-me lembrar a máxima de Pessoa que dizia: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Eu, que não sou crente desde que nasci, mesmo contra todas as probabilidades de sobrevivência, faço da fé, do sonho do homem, a única forma saudável de tirar a espécie humana da pré-história para onde o mundo de hoje parece querer regressar.
As plantas que deito à terra — reconheço que de uma forma caótica, desorganizada, até porque me faltam conhecimentos básicos dessa ciência ancestral que é saber cuidar da terra — são sementes de esperança. De encontro com as origens, com as raízes que fazem de mim, de nós, um corpo ímpar, que é preciso cuidar e alimentar, de forma que a esperança não morra.
O ramo de amoreira é a esperança que vou tentar que cresça, sem esquecer os maracujás, a lucuma e a bananeira que já está a precisar de companhia para poder desenvolver-se com vigor.