Quarta-feira, Abril 15, 2026
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Dois em um

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Como toda a gente sabe, a necessidade aguça o engenho. Daí que, num tempo de aperto, em que a minha vida profissional como jornalista se tornou num caos, tive de criar algo novo, tendo como base a minha experiência como jornalista e a minha apetência pelas artes gráficas.

Na verdade, essa inclinação para o grafismo foi sendo ganha paulatinamente, a par do jornalismo.

Quando se trabalha num jornal, em especial quando se tem a responsabilidade de “fechar páginas”, há coisas básicas que se tem de aprender. Escolher, hierarquizar, organizar, distribuir e, no fim, tendo em conta a linha gráfica da publicação, olhar com todos os sentidos e sentir que o resultado final é equilibrado, objetivo e responde à necessidade de captar a atenção do leitor.

Nesse contacto, a par de um fascínio pelos computadores — coisa que começou logo nos anos oitenta com os famosos Spectrum —, comecei a aprender, em especial com um artista gráfico que, infelizmente, já não está entre nós, o Paulo Renato, a trabalhar com as ferramentas de paginação.

Nos meus esforços para chegar ao fim do mês com mais um pequeno reforço no orçamento familiar, comecei a fazer um boletim municipal, tendo como função principal organizar os conteúdos, distribuí-los pelas páginas e, depois, enviá-los para a gráfica, onde o trabalho de paginação propriamente dito estava feito. Qual era o problema? O tempo. No vai e vem entre mim e a gráfica perdia-se muito tempo. Ora era preciso mais um parágrafo, ora era necessário cortar dois parágrafos, mudar a fotografia, etc.

Não hesitei na minha abordagem. Propus-me apresentar uma solução única, mas flexível, mais rápida e também mais barata. Assim, o meu trabalho passou a ser não apenas organizar os conteúdos, reescrevê-los, dar-lhes um ar mais informativo, claro e objetivo, como também trabalhar a parte gráfica. Com os conselhos do Paulo Renato, comecei a desenvolver a parte gráfica, o que me permitia rapidamente encaixar os artigos e imagens nos espaços certos, adaptando-os de tal forma que, depois da aprovação superior, só tinha de entregar na gráfica o trabalho pronto para impressão. Trigo limpo, como se costuma dizer.

Daí a chegar aos livros foi apenas um pequeno passo. A minha amizade e o meu conhecimento com o professor Alberto Vieira, no Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA), deram-me oportunidade para trabalhar em muitos livros e a prática necessária para, mesmo não me reconhecendo como designer gráfico — já que me faltam muitos conhecimentos básicos sobre a matéria —, responder às solicitações do CEHA e, esporadicamente, de outras pessoas.

Na página de portefólio do blogue vou inserir as capas e, se possível, uma pequena descrição dos livros que paginei ao longo da vida.

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