Para que não restem dúvidas, aqui vai um novo Bilhete Postal sobre inflação e salários nos últimos anos. Só houve um eclipse solar. O resto, felizmente ,não se eclipsou. Que não se tente tapar o sol com a peneira.
Estamos melhor, mas por uma margem estreita. Entre 2016 e 2024, o ganho médio mensal na Madeira subiu de 1.063 para 1.407 euros: mais 32,3% nominal. Descontada a inflação acumulada do período, 19,8%, sobra um ganho real de apenas 10,4%.
Os Açores fizeram quase o dobro do caminho: de 1.020 para 1.432 euros, mais 40,3% nominal e 17,1% real. Portugal, no total, cresceu 42,2% nominal e 18,7% real, para 1.576 euros.
Oito anos de trabalho renderam à Madeira, em termos reais, pouco mais de metade do que renderam ao país e menos de dois terços do que renderam aos Açores. Isto não é efeito de um trimestre isolado: é um fosso estrutural.
No mesmo período, o salário mínimo nacional subiu 73,6% nominal, o triplo da inflação. A base da tabela salarial converge; a média da Madeira fica para trás.
Lisboa, aliás, empurra a comparação nacional para cima. Mesmo sem essa distorção, os Açores continuam à frente da Madeira, sem Lisboa para explicar a diferença.
Há atraso, não retrocesso. Estar melhor do que em 2016 não significa estar tão melhor quanto o resto do país.