Nunca como hoje houve tanto ladrão no mundo. Já não precisam de arrombar portas: bastam uma lista de contactos e uma voz segura. Ladrões à distância
Bastou uma voz ao telefone e a ameaça de um interruptor. Um homem do continente fez-se passar por funcionário da EEM, ligou a comerciantes madeirenses e prometeu cortar-lhes a luz se não pagassem. Aguarda julgamento no Funchal por 23 crimes de burla qualificada.
Nunca como hoje houve tanto ladrão no mundo. Antigamente, o roubo era cena física: uma fechadura forçada, um rosto a fugir antes que alguém gritasse. Hoje, a maioria dos ladrões está sentada à frente de um ecrã ou de um telemóvel. Não precisam de arrombar portas: bastam uma lista de contactos e uma voz segura.
A EEM não telefona a ameaçar cortes imediatos, e confirmar uma fatura demora segundos. Mesmo assim, o medo vence a verificação quase sempre, e o telefone continua a ser mais persuasivo do que o bom senso.
Intriga que alguém, com as contas em dia ou atrasadas, pague sem verificar antes o que está a pagar. Todos podemos cair, mas os alertas são praticamente diários. Apesar de tudo, percebo mais depressa alguém que cai num conto do vigário, do que num comerciante que paga sem verificar o seu contador. Não tem explicação.
O engano é a natureza do ladrão. Ele “faz o seu trabalho”. A vítima é que insiste em facilitar-lhe a tarefa, uma chamada de cada vez, uma fatura por confirmar, uma dúvida que nunca chega a fazer-se. A parvoíce não paga imposto. Pelos vistos devia.