O desemprego desceu na Madeira e as ofertas aumentaram, sobretudo na restauração. Mas o emprego sazonal, mal pago e sem perspetivas de carreira continua sem conseguir fixar os jovens qualificados.
Recuperação a prazo: o desemprego desce, mas a que preço sazonal? Entre Maio e Junho, os desempregados inscritos na Madeira caíram de 5.360 para 4.998, menos 362 pessoas — a segunda maior descida do país, atrás apenas do Algarve. Do outro lado da mesma edição, um dado incómodo: é a restauração que lidera as vagas de emprego na Região.
Os números não mentem, mas contam metade da história. As ofertas de emprego por satisfazer subiram de 425 para 445 em Junho; as colocações passaram de 81 para 100 em relação a Maio, mais 19. É mais trabalho, sim. A dúvida que ninguém faz no comunicado oficial é que trabalho.
A secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, garante que o Governo “não se fica pela redução do desemprego” e promete “melhor emprego” e “mais oportunidades para os jovens”. A frase lê-se bem. Falta explicar como se mede “melhor emprego” numa ilha onde a maioria das vagas nasce em Abril e se despede com os últimos voos de Outubro.
Não é contra o turismo que escrevo — é o turismo que ainda paga os salários que cá restam. É contra a equação simples que troca qualquer vaga por uma vitória estatística. Um posto sazonal, mal pago e sem carreira não fixa ninguém; adia apenas a viagem para o aeroporto até ao fim da época.
Os desempregados descem no papel. Os jovens qualificados continuam a fazer as contas em Setembro — e a resposta, para muitos, continua a ser Zurique, não o Funchal.