Bilhete postal
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Bilhete Postal

Gonçalo Mendes Gonçalo Mendes
  • Out 1, 2026

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magzin magzin

Os três enganos

Cristiano Ronaldo queria continuar a jogar. Foi o primeiro erro, e não foi o único: nesta história, todos se equivocaram.

Equivocou-se o jogador. Pensava deixar a selecção, não decidira, e entretanto convenceu-se de que o estatuto lhe garantia o lugar e a voz. Não garante. O estatuto ganha-se em quinze anos, a titularidade ganha-se ao domingo. Quem foi o maior de todos devia saber que o fim de um jogador é sempre o próprio a perceber primeiro, e a admitir por último.

Equivocou-se o presidente da Federação. Quis retê-lo por causa da conta: sem Ronaldo, menos cachets, menos camisolas, menos receitas. Fez da selecção uma montra e de um craque um balcão de vendas. Quem governa o futebol de um país não pode confundir a bilheteira com o relvado.

Equivocou-se Jesus, e o seu erro foi o mais grave, porque era o único a quem competia decidir. Ficou encurralado, diz-se. Mas um treinador só fica encurralado quando se deixa ficar. Entre o presidente que o pressionava e a ex-estrela que queria mandar, devia ter escolhido a equipa. Não escolheu a tempo, e quem não escolhe também escolhe.

Os homens que percebem de futebol viram tudo antes de começar. Acharam, e acham, que Ronaldo já não acrescentava nada. Tinham razão, e de pouco lhes serviu: ninguém os ouviu.

Há um argumento a favor de Ronaldo, e convém dizê-lo. Ninguém deu mais à camisola, e merecia sair pelo seu pé, de cabeça levantada. Mas merecer uma despedida não é ter direito a uma titularidade.

O destino final estava traçado antes de tudo começar. Não por fatalidade, mas por soma de erros: três protagonistas, três enganos, uma só saída. E o mais duro é que nenhum deles precisava de se ter enganado.

Nota: Imagem gerada por IA (Meta AI)

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