Madeira, 1916. O padre Bernardino desaparece todos os domingos pela serra — uns dizem que é espião ao serviço dos alemães, outros sabem que vai ao encontro da família que a batina não lhe deixa reconhecer. Quando o sargento Anselmo o segue, descobre não um traidor, mas um homem dividido entre dois lares. A freguesia protege o segredo e todos aprendem que a compaixão vale mais que qualquer regra. A carne é fraca.
Todos os domingos, mal caía a tarde e o sol começava a esconder-se atrás das montanhas da cordilheira central, o padre Bernardino punha a sela no cavalo, enfiava um alforge com pão e queijo e desaparecia pela vereda da serra acima, na direcção de uma das freguesias do lado oposto. Voltava sempre na segunda-feira, ao fim do dia, com o cavalo cansado e as botas cobertas de lama vermelha do trilho, a tempo de dizer a missa das sete de terça-feira como se nunca tivesse saído dali.
Era a segunda década do século, e a Europa ardia a cinco dias de vapor dali, mas na freguesia o que se media não era em quilómetros de trincheira, era em domingos. Contavam-se assim os anos: foi no domingo em que o padre partiu com chuva, foi na segunda em que voltou já de noite.
A guerra, para quem vivia ali, era sobretudo uma lista. Chegava com o correio, às vezes atrasado semanas, e o Zé do Correio lia-a em voz alta à porta da junta para quem não sabia ler: nomes de rapazes da ilha mandados para a Flandres com o Corpo Expedicionário Português, alguns já dados como feridos, um ou outro já dado como morto, longe, numa terra que ninguém ali sabia bem apontar no mapa. Da freguesia tinham partido quatro: o Joaquim do Ferreiro, o mais velho dos Sardinha, um rapaz calado que chamavam Alambique por causa do pai, e o Filho da Rosa Cega, esse por castigo, dizia-se, por ter fugido três vezes do quartel antes de o apanharem de vez. Das quatro famílias, só uma tinha, até àquele Dezembro, recebido más notícias. O suficiente para que a missa de domingo, antes de ser conforto, fosse sempre, primeiro, um momento de contar caras: quem estava lá à frente, quem faltava e por quê.
Foi o padre Bernardino quem enterrou o Joaquim do Ferreiro, ou antes, quem lhe disse a missa de corpo ausente, porque o corpo tinha ficado do outro lado do mar, numa vala que a família nunca chegou a ver. Nesse dia não houve anedota nenhuma na tasca do Chico Formiga. O padre foi a casa da mãe do Joaquim, sentou-se com ela três horas seguidas sem dizer quase nada, e só ao fim, quando ela finalmente chorou, é que lhe pegou na mão e lhe disse que a dor não tinha pressa nenhuma de passar, e que não valia a pena fingir que tinha. Os homens que souberam disto — e todos souberam, porque ali tudo se sabia — nunca mais duvidaram de que aquele padre, por mais pecados que tivesse, sabia mesmo a diferença entre consolar e pregar.
Ao fim da tarde, depois da missa e antes do jantar, o padre Bernardino gostava de se sentar na tasca do Chico Formiga com os homens da freguesia, a comer um petisco de bodião frito e a beber um copo de vinho jaqué, contando anedotas que nenhum outro padre da ilha se atreveria a contar em voz alta. Os homens riam-se, davam-lhe graça pela graça, e aproveitavam-no também para outra coisa: para lhe dar contas das suas maleitas, das dívidas, das mulheres que os apoquentavam, e para o provocar um bocadinho, à socapa.
— Então, senhor padre, e as tentações da carne, isso lá em casa dos padres não aperta? — perguntava o Chico Formiga, com aquele sorriso de quem já sabe a resposta.
— A carne é fraca, homens. A carne é fraca — respondia o padre, erguendo o copo, e ficava por ali, porque nunca ninguém o via, de facto, a namoriscar mulher nenhuma da freguesia.
Nisso os homens confiavam-lhe a casa toda: sabiam que podiam deixar a mulher sozinha em casa com o padre a fazer uma visita de doente, sem receio de nada. Quando algum se atrasava numa amizade que não devia, ou levantava a mão à mulher mais do que devia, o padre tinha sempre uma palavra sossegada e uma penitência à medida do pecado, nunca um sermão a envergonhar o homem à frente dos outros, que isso, dizia ele, só serve para o endurecer.
Foi assim com o Alfredo do Moinho, que, uma noite de vindima, se deixou levar por uma prima da mulher, vinda de fora para ajudar nas colheitas, e passou a semana seguinte a evitar a igreja de vergonha. O padre Bernardino foi ele próprio a casa dele, sentou-se à mesa da cozinha, comeu do caldo que a mulher do Alfredo lhe serviu sem saber de nada, e só depois, sozinho com o homem no quintal, lhe disse que a penitência era simples: três Padre-Nossos, e nunca mais deixar a mulher sozinha nas vindimas com uma prima bonita por perto, que a ocasião, essa sim, é que era o verdadeiro pecado, mais do que a fraqueza que vem depois dela.
— A ocasião faz o ladrão, lá diz o povo — lançou o padre o aforismo, para que não houvesse dúvidas.
O Alfredo voltou à missa no domingo seguinte com a cara lavada, e nunca ninguém, a não ser ele e o padre, soube porque tinha faltado.
Do outro segredo, esse ninguém falava alto, mas toda a gente sabia: que do outro lado da serra havia uma mulher, chamada Idalina, e cinco filhos que tinham a testa larga e o jeito de andar do padre Bernardino, e que ele lá ia, todos os domingos, sem falhar, tratar da vida que a batina não lhe deixava ter à luz do dia. Ninguém se incomodava muito com isso. Havia só duas ou três beatas — a Dona Joaquina à cabeça delas — que reviravam os olhos ao céu quando o assunto vinha à baila e murmuravam que aquilo era um escândalo, um padre com família de fora, mas nenhuma delas jamais tivera coragem de lhe dizer isso de frente. Confrontar o padre Bernardino era coisa que se pensava com muito cuidado antes de fazer, porque ele tinha resposta pronta para tudo, e a resposta vinha sempre embrulhada num sorriso que deixava quem perguntava com mais vergonha do que ele.
A vereda que o padre atravessava, cortando a serra por um trilho estreito entre penedos e giestas, tinha sido aberta havia mais de cem anos por quem ia buscar lenha e gado à freguesia do outro lado, e era conhecida na terra por Caminho dos Contrabandistas, nome que já ninguém sabia bem justificar, mas que continuava a fazer sentido àquele padre que a atravessava toda semana a levar, digamos assim, mercadoria que não passava pela alfândega da consciência de ninguém. Era caminho de um dia inteiro a pé, mas o padre, a cavalo e conhecendo cada curva de cor, fazia-o em quatro horas bem contadas, mesmo com nevoeiro, mesmo com vento.
Foi em Dezembro de 1916 que a guerra, até então coisa de jornal atrasado e de rapazes que partiam para a Flandres com a família a chorar no cais, chegou finalmente perto de casa: um submarino alemão apareceu ao largo do Funchal e bombardeou a cidade, afundou navios no porto, e deixou a ilha inteira, durante semanas, com o coração na boca à espera do próximo ataque. Na freguesia, longe da cidade mas não longe que chegue quando o medo se instala, começou-se a olhar de lado para tudo o que fosse estranho: uma luz acesa de noite, um estrangeiro de passagem, um homem que desaparecia sem se saber bem para onde. O administrador do concelho mandou reforçar a vigilância, e correu o boato de que havia espiões alemães a sinalizar aos submarinos desde as encostas mais isoladas da costa norte.
Foi nessa altura que alguém — nunca se soube ao certo quem, mas os mais desconfiados apontavam para a Dona Joaquina — foi ao posto da Guarda dar parte de que o pároco da freguesia desaparecia todos os domingos, sem falta, encosta acima, na direcção das zonas mais altas e mais isoladas da serra — precisamente as que o boato dizia servirem de posto de sinais aos submarinos —, e só regressava dois dias depois, com ares de quem escondia qualquer coisa.
O sargento Anselmo Ferraz, destacado havia pouco mais de um ano naquele posto perdido do Norte, recebeu a denúncia com a seriedade de quem via ali, finalmente, uma oportunidade de se distinguir. Era novo no cargo, ambicioso, e tinha aquele jeito de quem lê os regulamentos com mais devoção do que a maior parte dos crentes lê a Bíblia. Não era mau homem, mas era, por enquanto, um homem que queria muito ser tomado a sério, e um padre-espião era o tipo de caso que fazia carreiras.
Decidiu segui-lo.
Na freguesia, a notícia de que a Guarda andava a vigiar o padre Bernardino correu mais depressa do que qualquer submarino alemão. Os homens da tasca do Chico Formiga, que sabiam perfeitamente o que havia do outro lado da serra e achavam graça nenhuma à ideia de o padre ser preso por traição à pátria quando o único crime dele era ter dois lares em vez de um, decidiram, sem se combinarem uns com os outros e ao mesmo tempo como se se tivessem combinado, proteger o segredo com toda a força de mentiras que a freguesia foi capaz de inventar.
— O senhor padre vai à Ponta do Tristão levar os sacramentos a um doente — disse o Chico Formiga ao sargento, quando este veio perguntar.
— O senhor padre vai visitar um primo enfermo lá para os lados de cima — disse a mulher do sacristão, no dia seguinte, sem que ninguém lhe tivesse dado o recado.
— O senhor padre anda a tratar de uns papéis com o bispo — disse o próprio sacristão, três dias depois, contradizendo a mulher sem se aperceber.
— O senhor padre está em retiro espiritual no convento das freiras — jurou a Dona Micaela, que nunca na vida tinha posto os pés perto de convento nenhum e inventou o nome no momento, convencida de que soava bem.
— Vai à caça de coelhos para as bandas do Pico Ruivo — disse o Alfredo do Moinho, ainda a dever ao padre os três Padre-Nossos, empenhado agora em pagar a dívida de outra maneira.
O próprio Chico Formiga, quando lhe perguntaram directamente, encolheu os ombros com uma cara tão inocente que era ela própria, sozinha, motivo de suspeita:
— Sei lá eu, sargento. Os padres têm as suas obrigações. Quem sou eu para andar a perguntar aonde vai um homem de Deus?
Ao fim de duas semanas, o sargento Anselmo tinha recolhido sete versões diferentes e incompatíveis do paradeiro dominical do padre Bernardino — um retiro, uma caçada, um primo doente, uns papéis do bispo, uma visita a um santuário, e duas que nem sequer se lembrava bem de as ter ouvido, de tão depressa lhe tinham sido despachadas — o que, em vez de o desmobilizar, lhe confirmou a suspeita: gente a mentir em coro só o faz quando tem mesmo alguma coisa grande a esconder. Escreveu isso mesmo no seu caderno de apontamentos, sublinhado a lápis, como quem já vê a promoção a chegar pelo correio.
Na terceira semana, o sargento Anselmo não perguntou a ninguém. Seguiu-o.
Partiu atrás dele ao fim da tarde de um domingo, a uma distância prudente, pelo Caminho dos Contrabandistas, com a farda a apertar mais do que devia naquele calor de subida e a pistola a bater-lhe na coxa a cada passo do cavalo emprestado pelo posto. O trilho, que o padre percorria de cor, foi-lhe cobrando a inexperiência a cada curva: duas vezes o cavalo escorregou em pedra solta, uma vez teve de desmontar e puxá-lo pela rédea por um troço em que a giesta lhe chicoteava as pernas, e chegou ao alto da serra já com as pernas a arder, a camisa colada às costas e o entusiasmo do começo bastante mais moderado do que quando partira.
Do alto, com o sol já baixo, viu lá em baixo, pequena entre os socalcos, a casa caiada. Viu o padre Bernardino apear-se, e uma mulher sair porta fora com um menino ao colo, e outras quatro crianças a correr-lhe ao encontro aos gritos, a disputarem quem chegava primeiro, e o padre a ajoelhar-se no chão de terra batida para as receber todas ao mesmo tempo, com um à-vontade que não deixava margem a dúvidas de espionagem nenhuma. Só as dúvidas de outra natureza, essas bem mais antigas do que qualquer guerra.
Ficou ali, deitado por trás de um muro de pedra solta, com as pernas dormentes e um grilo a cantar-lhe ao ouvido sem descanso, a observar durante mais de uma hora. O que viu, através da janela iluminada por um candeeiro de petróleo, não foi cifra nem sinal luminoso para submarino nenhum: foi um homem a partir pão com os filhos, a discutir com a filha mais velha quem tinha comido a última fatia de bolo, a mulher a rir de qualquer coisa que ele disse baixinho ao ouvido dela por trás da mesa, o menino mais novo a adormecer-lhe ao colo enquanto ele acabava a sopa com a outra mão, sem pressa nenhuma, como quem tem toda a noite para si e sabe que não tem. Era a cena mais desarmada que o sargento Anselmo tinha visto desde que chegara àquele posto, mais desarmada até do que qualquer coisa que tivesse visto em sua própria casa, onde a mãe lhe escrevia cartas a perguntar quando arranjava mulher e ele nunca sabia bem o que responder.
Voltou para trás sem se dar a conhecer e passou a noite inteira sem dormir, não pelo cansaço da subida, mas porque não sabia bem o que fazer com o que tinha visto.
Na manhã de terça-feira, o sargento Anselmo apareceu na tasca do Chico Formiga, ainda com a farda amarrotada da vigília, e sentou-se sem ser convidado à mesa onde o padre Bernardino comia uma sopa de couve com carne de porco. Fez-se um silêncio na tasca que só se faz quando toda a gente percebe, ao mesmo tempo, que alguma coisa está prestes a mudar de figura.
— Sei onde é que o senhor padre vai aos domingos — disse o sargento, em voz baixa, olhando para a sopa e não para o padre.
O padre Bernardino pousou a colher devagar. Não negou. Não fugiu à pergunta que não tinha sido feita.
— E agora? — perguntou, com a mesma calma com que dava a penitência a quem se confessava.
O sargento Anselmo olhou para a sala cheia de homens que fingiam não estar a ouvir, para o Chico Formiga a limpar copos que já estavam limpos, e ficou um bom bocado calado. Pensou na carreira que podia fazer com aquela denúncia — um relatório bem escrito, um padre-espião entregue às autoridades, o nome dele, Anselmo Ferraz, a circular pelos jornais do Funchal como o homem que tinha desmantelado uma rede de sinalização ao inimigo numa freguesia perdida do Norte. Pensou também na mulher e no menino ao colo, no à-vontade daquele abraço, na filha mais velha a disputar a última fatia de bolo, e percebeu que não havia relatório nenhum, por mais bem escrito que fosse, que valesse a pena redigir contra aquilo. Não tinha nada de espião nem de traidor. Tinha só o peso comum de um homem cansado que ama duas casas ao mesmo tempo e não sabe como as juntar numa só, coisa que o próprio sargento, sozinho havia mais de um ano naquele posto, com a mãe a escrever-lhe cartas sobre casamento que ele nunca sabia como responder, entendia melhor do que gostaria de admitir.
— Agora, nada — disse por fim. — O relatório vai dizer que investiguei um boato infundado sobre movimentos suspeitos na costa e que não encontrei provas de espionagem nenhuma. O que é verdade, já agora. Não encontrei espião nenhum.
O padre Bernardino olhou para ele por cima do copo e ergueu-o devagar, como fazia sempre que queria fechar um assunto sem se alongar em agradecimentos que envergonhassem quem os merecia.
— A carne é fraca, sargento. A carne é fraca.
— Pois é, senhor padre — respondeu o Anselmo, e pela primeira vez desde que chegara à freguesia, riu-se de verdade, um riso que lhe tirou dos ombros um peso que nem sabia que ali estava.
Pediu um copo de vinho ao Chico Formiga, sentou-se e ficou.
Dona Joaquina nunca soube o que se tinha passado naquela terça-feira, e continuou, até morrer, convencida de que a Guarda tinha andado a investigar o padre Bernardino e não encontrara nada, o que, tecnicamente, também era verdade, só que não da maneira que ela imaginava. Contou a história do “espião que afinal não era espião” durante anos, a quem quisesse ouvir, sempre com o mesmo ar de quem tinha estado certa desde o início sobre alguma coisa, mesmo sem saber ao certo sobre o quê. As outras duas ou três beatas que a acompanhavam nas queixas contra o padre foram, uma a uma, deixando de o fazer, não porque tivessem mudado de ideias sobre o pecado, mas porque a vida da freguesia lhes foi dando outras coisas em que reparar, e um padre que baptizava os filhos de toda a gente, enterrava os mortos da guerra com paciência e nunca tocava numa mulher casada acabou por ser, apesar de tudo, um pecado com que se aprendeu a conviver.
O sargento Anselmo passou a fazer parte, também ele, das tardes de domingo antes da partida do padre. Pouco à vontade nas primeiras vezes, depois cada vez mais um deles, a rir das anedotas do padre Bernardino, a beber o seu copo, a guardar, como toda a gente ali guardava, um segredo que já não era só do padre, mas de toda a freguesia junta. E foi assim, a ir à tasca do Chico Formiga por hábito que já não tinha nada a ver com serviço nenhum, que reparou pela primeira vez na Filomena, filha do Chico, que servia as mesas com um jeito de quem não tinha paciência para tolices e um riso que só soltava quando achava mesmo graça a alguma coisa, coisa rara, e por isso mais valiosa quando acontecia.
Levou o Anselmo três meses a arranjar coragem para lhe dizer alguma coisa que não fosse pedir mais um copo, e mais uns tantos a perceber que ela já tinha reparado nele havia muito mais tempo do que ele imaginava. Casaram-se na Primavera seguinte, na igreja do padre Bernardino, que lhe deu a bênção com uma cara tão séria que ninguém na assistência adivinhou que, por baixo da solenidade, se estava a rir por dentro do destino que tinha calhado ao rapaz que viera para o denunciar. O sargento pediu a transferência do posto negada, e depois pediu outra vez, e ao fim de um ano deixou de pedir de todo: instalou-se de vez na freguesia, comprou uns poios ao lado dos do sogro, e passou a ser, para todos os efeitos, gente de lá, mais um homem que a terra tinha engolido e feito seu, à sua maneira paciente de engolir tudo o que lhe chega perto durante tempo suficiente.
Todos os domingos, mal caía a tarde e o sol começava a esconder-se atrás das montanhas, o padre Bernardino continuava a pôr a sela no cavalo, a enfiar o alforge com pão e queijo, e a desaparecer pela vereda do costume. À porta da tasca do Chico Formiga, o sargento Anselmo, já sem farda havia muito, sentava-se a ver o sol desaparecer atrás do mesmo pico, com a mulher ao lado e um copo à frente, tão enraizado naquela terra que já ninguém, nem ele próprio, se lembrava de o ter visto chegar de fora.