O ministro da Administração Interna conduz o carro de um traficante, mas defende-se citando a lei. É a Administração Interna a explicar como a Justiça virou bazar.
Luís Neves usa um Volkswagen Golf GTD apreendido a Rúben Oliveira, o “Xuxas”, num processo de tráfico de droga ainda sem condenação definitiva. Guarda também, algures, sofás, televisões e equipamento de ginásio avaliados em 400 mil euros, apreendidos ao mesmo caso. Ninguém esclarece o paradeiro.
O ministro resume assim: “Apliquei a lei.” André Ventura, presidente do Chega, resume de outra forma: “Se isto não é estilo Al Capone, não sei o que é.”
Entre os dois, fica o cidadão comum, a quem a Polícia Judiciária não costuma emprestar o carro apreendido ao vizinho. A moção de censura decide-se hoje. O sofá, esse, continua sem morada conhecida.