Quarta-feira, Junho 3, 2026
Genealogias
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“Bacalhau da Calheta”, construtor de pontes

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Logo no início da segunda metade do século XIX, Francisco Mendes da Silva mudou-se com os seus haveres dos lados da Calheta para S. Vicente. Residente no Lombo da Atouguia, era mais conhecido por Bacalhau, à semelhança de muitos outros que, na tradição popular, eram mais conhecidos pela alcunha do que pelo próprio nome.

Com os dados hoje disponíveis, é provável que o percurso tenha sido feito através dos caminhos do Paul da Serra, descendo os Estanquinhos, passando pelo Caramujo e pelas Ginjas e, finalmente, assentando arraiais no Loural de Cima, mesmo no alto do sítio, onde construiu uma casa simples de pedra, com loja e, no andar superior, dois pequenos quartos, cozinha e uma salinha de jantar.

Francisco Mendes da Silva, oficial de pedreiro — assim consta no seu registo de casamento com Maria da Encarnação —, ter-se-á mudado do sul para o norte da ilha com uma missão específica: participar com o seu ofício na construção de várias pontes na freguesia de S. Vicente, em especial da ponte da Vila. E por São Vicente ficou, assim como os seus filhos. Na segunda metade do século, foram várias as obras viárias, em especial pontes, até então de madeira, que foram substituídas por infraestruturas mais robustas, de pedra e/ou alvenaria.

A ponte da Vila de São Vicente, na segunda metade do Séc. XIX. (Museu de Fotografia da Madeira, Vicente’s)

A nossa mãe, Maria da Conceição Mendes da Silva, sempre falou nessa missão, assim como no facto de ele ter sido responsável pela edificação de várias casas senhoriais na freguesia, nomeadamente no sítio do Saramago.

Francisco e Maria da Encarnação (não consegui encontrar o registo de casamento) tiveram vários filhos: Manuel (1860), João (1864), Francisco (1868) e António (1871).

Ponte da vila de S. Vicente, provavelmente já de finais do séc. XIX, princípios do século XX. Vicente’s

No que a mim diz respeito diretamente, interessa o nome de João Mendes da Silva, nascido em 1864, que, ainda solteiro, viajou com o irmão Manuel para o Brasil em 1888, conforme atestam os pedidos de passaporte de ambos. Manuel já era casado com Maria Rosa da Conceição, com a qual tinha um filho, Manuel, de três anos, que também viajou. A título de curiosidade, Manuel media 1,63 m, enquanto João apenas 1,54 m. Talvez pela sua baixa estatura, João tenha sido dispensado do serviço militar em 1886, ao contrário do irmão, que o cumpriu durante cinco anos no Regimento de Caçadores n.º 12 do Funchal.

Dispensa para viajar
Autorização para viajar

Os dois irmãos tinham olhos e cabelos castanhos e o rosto redondo.

De regresso à Madeira, João Mendes da Silva casou com Teresa de Jesus em 1898 e era conhecido como o «Bacalhau do Loural» e, pelo que sei, era agricultor. Desta união nasceram vários filhos, com destaque para o filho homónimo, João Mendes da Silva Júnior, que casou com Maria da Cruz da Conceição — meus avós maternos. A filha mais velha de João e Teresa chamava-se Maria de Jesus, nascida no primeiro dia do último ano do século XIX, que casou com Francisco de Sousa e foi madrinha da minha mãe. Francisco de Sousa e Maria de Jesus, a quem chamávamos carinhosamente de «padrinho» e «madrinha», viveram connosco os últimos anos das suas vidas, tendo falecido em 1969 com quatro meses de diferença.

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