Não será uma fazenda, nem é esse o destino. Por enquanto, há canas, maracujás, figueiras, laranjeiras, pepinos e melões. E há sobretudo tempo — esse que manda mais do que nós e ensina que algumas coisas se fazem, enquanto outras se vão fazendo.
O destino não é ser uma fazenda agrícola. Apenas um pequeno pomar e uma minúscula horta. O resto logo se vê, porque o tempo tem dias, e é preciso deixá-los amadurecer devidamente. Além disso, a idade não perdoa e os tempos não estão fáceis para arranjar ajudantes. Como tal, há coisas que se fazem e outras que se vão fazendo, enquanto se projecta o que queremos realmente fazer.
O tempo e as circunstâncias determinam a cada momento as decisões e, para já, o que há a registar é que uma tarde de roçadoura nas mãos transforma os músculos de um aposentado numa amálgama dorida, circunstância apenas tolerada pela satisfação de ver que as coisas vão caminhando.
A treliça de canas já pode receber os maracujá, o único que apareceu ainda está a amadurecer, há novos nascidos de sementes, e os outros já estão na sua caminha ascendente.
As velhas laranjeiras doentes parecem menos doentes, já têm laranjas que se veja, e ainda estão em crescimento, mas uma, pelo que prevejo, vai ter de alimentar um churrasco um dia qualquer.
As ameixas já eram e agora, a ameixieira vai ter de levar uma daquelas podas àq maneira a ver se rejuvenesce e não se limita a fornecer frutos só para amostra.
Além do mais, os figos continuam a crescer. As duas figueiras prometem.
No mini canteiro, pepinos, milho e melões. Quem diria. Ervas aromáticas, isso há por todo o lado.