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Mais emprego, menos empresas

Gonçalo Mendes Gonçalo Mendes
  • Jul 21, 2026

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Esta ilha pode estar, ao mesmo tempo, a empregar quase toda a gente que lhe resta e a perder as empresas que a sustentam.

O desemprego na Madeira caiu para o nível mais baixo em 23 anos. As insolvências de empresas dispararam 109% no primeiro semestre, a maior subida entre todos os distritos do país. Os dois números saíram na mesma semana e descrevem duas ilhas diferentes.

O Instituto de Emprego e Formação Profissional registou 4.998 desempregados na Madeira em junho, segundo o JM Madeira. É a primeira vez desde 2002 que o número desce abaixo de cinco mil. A queda homóloga foi de 10,7%, a segunda maior do país, atrás apenas da região Norte.

O outro lado da equação preocupa mais. A criação de novas empresas na Região recuou 23% no primeiro semestre, o segundo pior resultado nacional, à frente apenas da Guarda. As insolvências declaradas subiram 109% no mesmo período, segundo dados da Iberinform avançados pelo DIÁRIO.

Junta-se a prestação da casa. Em junho, a taxa de juro implícita no crédito à habitação na Região subiu para 3,162%, mais 0,041 pontos percentuais do que em maio, indica o JM Madeira. A prestação média atingiu 404 euros, o valor mais alto em 16 meses.

Os números não se contradizem por definição. Um mercado de trabalho apertado convive com mais falências, quando empresas frágeis fecham por falta de mão-de-obra a preços antigos. O turismo continua a sustentar salários, mesmo com menos negócios a nascer.

Essa leitura optimista tem um limite estreito. Se as empresas fecham e a prestação da casa sobe, o desemprego baixo pode significar mão-de-obra qualificada a sair da Região à procura de melhores condições noutro lugar. Os dados de hoje não fecham a discussão.

A prova está nos dois números que hoje se cruzam sem se tocar: quase cinco mil pessoas sem emprego, o valor mais baixo em duas décadas, e um recorde de insolvências que ainda não apareceu em nenhuma estatística de desemprego. Esta ilha pode estar, ao mesmo tempo, a empregar quase toda a gente que lhe resta e a perder as empresas que a sustentam.

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